Tudo nos fazia acreditar no que poderia nos acontecer, e aconteceu!!! Pelo menos para mim, que no final do ano de 2005 fiz minha primeira viagem ao exterior, mais precisamente para Inglaterra, a terra do Rock Roll, a convite de um grande amigo que me daria todo o suporte para minha estada durante um mês naquele distinto pais. Embarquei no dia 04 de dezembro, levando comigo meu Yamaha de 12 cordas e toda expectativa possível e imaginável de um legítimo aquariano.
Logo que me acomodei na poltrona do avião, de encontro veio uma aeromoça falando em inglês e castellaño que o meu violão não poderia ficar perto de mim, teria que ser acomodado em outro lugar, eu logo percebendo que aquelas frases não me favoreceriam em nenhum momento, me fiz de desentendido, quando de repente alguém chegava para sentar ao meu lado e já foi falando com a aeromoça, e me explicando o que ela queria fazer, me tranquilizando com o cuidado que teriam com o meu instrumento. Foi perfeito pois já rolou meu primeiro contato que durante o vôo e, entre várias baby’s Chandon, foi me dando várias dicas de como preencher um formulário de desembarque e as falas que deveriam ser ditas durante as perguntas que nos fazem para passar na imigração. Simplesmente demais, pois deu tudo certo e na manhã do dia seguinte estava eu dentro do aeroporto de Heatrow o maior do mundo!
Quando descia a escada rolante, vários flashs foram disparados em minha direção, fiquei meio sem saber o que acontecia e quando prestei bem atenção, era o meu amigo por trás daquela câmera, que não parava de tirar várias fotos. Já demos muitas risadas e fomos botando nossas leras em dia, atualizando nossas vidas, pois não nos víamos pessoalmente há quase dois anos.
Embarcamos em um ônibus com destino a Brighton uma cidade costeira nos arredores de Londres, mais ou mesmo uns 100KM, e que surpresa agradável que os meus olhos e meus sentimentos foram tendo enquanto chegávamos naquela lugarejo que, além de tudo ainda tinha o Mar e uma orla inacreditável que fazia fronteira com a França.
,Na primeira caminhada que fizemos em direção a Rua Lower Rock Garden, 07 endereço do Flat-11 onde me hospedaria, pude sentir uma liberdade única e que me acompanharia por todos os meus dias seguintes quando saía acompanhando ou sozinho, sempre muito relax. Foi muito importante ficar em uma cidade pequena e mais tranqüila. E já na presença de uma linda loira russa, quase um anjo e companheira do meu amigo, a partir das 10 horas da manhã, começou a minha primeira balada, que só terminaria 48 horas depois!!! Ficamos ligadaços com aquela sensação de derreter tudo e beber todas que nos colocassem na frente.
No flat moravam mais um casal chamados Rochinha e Dani, soteropolitanos que adoravam Daniela Mercuri e Ivete Sangalo e a música em si, pois a Dani sabia tocar violão, fazíamos sempre encontros com outros brasileiros regados a muita música, e logo todos foram imaginando em qual Pub poderiam me levar para que pudesse me apresentar e mostrar a minha música.
O local escolhido foi a cidade vizinha chamada Hoover e num Pub onde vários artistas tinham direito de mostrarem três músicas, e como referência lá passaram artistas como a banda pirante Jethro Tull, e o vocalista Bruce Dinckson do Iron Maiden.
Quando chegamos e nos desfizemos de nossos casacos, pois dentro dos ambientes sempre rola uma temperatura normal, longe daquele frio típico da região, fomos pegando nossas bebidas e nos dirigindo para mesa de sinuca, pois na maioria dos pubs sempre tem esse jogo e a galera gosta muito e sempre rola um pouco de bairrismo, pois ninguém quer perder!!! muito menos para gringo.
Fizeram contato com organizador e o meu nome imediatamente foi colocado na lista dos músicos que iriam se apresentar naquela noite, fiquei muito temeroso, pois no meu repertório só teria uma música cantada em Inglês - Thank You do Led Zepellin e que eu só sei a primeira estrofe, as outras seriam na minha língua acida e clara do meu bom e maravilhoso português... E antes de subir no palco fui logo avisando aos meus amigos da minha transformação artística e da minha liberdade de expressão que muitas vezes chega a chocar as pessoas menos prevenidas, pois me jogo de corpo e alma em uma interpretação quase que suicida sem volta e nem arrependimentos, fico a mercê dos acontecimentos.
E rolou, rolou a minha apresentação, enfrentando todo tipo de opinião e tocando uma guitarra afinada em MI+, foi sensacional de primeira e, quase numa acapela, a música do Led fez com que os gringos além de aplaudirem ficassem pedindo: "More! More!More!. E eu nem consegui tocar mais, só umas firulas, agradeci em português e deixei o palco com os brasileiros extasiados pela minha performance.
Em seguida, na minha saída fui abordado por um senhor calvo nos seus 50 e poucos anos que não parava de me elogiar, como não falo em inglês pedi a ajuda para baiana Dani que falava muito bem a língua. Mas o preconceito me dominou nesse momento e fui logo dizendo para ela .. – Dani fala pra esse tiozão que sou espada e vê direito o que ele quer rsrsr??? Ela me traduzia que ele adorou a minha forma de interpretar e que gostaria de conhecer melhor o meu trabalho músical, até aí tudo bem!!! Porém na seqüência ele foi chamado para se apresentar e olha só como é o irônico o destino, o tiozão tocava GAITA, meu, eu pirei, e fiquei falando na cabeça da Dani, cara quando ele parar de tocar chama o cara, pois agora sou eu que quero conhecê-lo!!! e melhor dar o meu CD para ele ouvir...Trocamos telefones e contatos, vestimos nossos casacos e na saída do Pub quando estávamos indo para o ponto do ônibus, o moleque Nelson Henrique abaixa as calças e mostra sua bunda branquela para o motorista do enorme busão vermelho que pára imediatamente e todos fomos entrando. Quando o Né passou a catraca ele perguntou para o motorista em inglês é claro, se ele havia parado porque o pessoal tinha dado o sinal ou se ele tinha parado porque ele tinha mostrado sua bunda branca??? e todos caímos na risada...
Que sensação extasiante consumia todo o meu corpo, ficar olhando pela janela do busão aquelas casas de cores e tamanhos tão iguais e tão pitorescas passando como um filme, toda aquela galera se acabando de tanto rir, muita felicidade pairava no ar, que viagem alucinante...
Na manhã seguinte todos foram trabalhar, acordei sozinho, quer dizer quase sozinho!!! porque o White Shark (O Tubarão Branco), ficava dentro de um pote verde enrugado, para força total das percepções que se sucederam repetitivas vezes enquanto caminhava sozinho, alone alone, pelas ruelas, ou vielas , impecavelmente limpas. Nada de Beco das Mijadas no bom português, alias tem esse Beco lá no Crato hahaharsrsr, acho que viajei um pouco, porém é real!!!, pois ao mesmo tempo consumia oticamente numa velocidade estonteante, todas as informações: tipo de pessoas caminhando ou nos seus carros de volante na esquerda, seus Pubs (bares) que são muito, pois os ingleses estão entre o três primeiros povos que mais bebem no mundo, vitrines das mais variadas variedades, souvenires, instrumentos músicais, e também Lãs Lands, um bairro no centro da cidade somente de lojas e restaurantes e claro, varios Pubs. Os meus cartões de credito se descontrolaram, a tal moeda Libra Esterlinas, Pounds, ou Euro valiam 5 pra 1, cheguei a pagar 25 reais por um Big Mac, cálculo cruel para as finanças, mas relaxei e logo não fazia mais essa multiplicação, e também aproveitava para comprar tudo o que realmente gostava, pois não sabia quando poderia voltar.
A cidade é encantadora, mágica, charmosa, muitas casas noturnas com música ao vivo rolando: muito Blues, muito Rock!!! a música popular dos caras é o Rock-Roll, ou Djs mandando muito bem!!! pois o number one o renomado Fat Boy Slim!!! é nato da cidade e deu um show antológico para dois milhões de pessoas na praia, e assim como a tia de John Lennon, papai Fat Boy dizia que música não lhe traria dinheiro. Fat após tocar para duas pessoas em um show na Holanda prometeu que iria se tornar o número um, já com muito sucesso e muita grana, ele voltou a Brighton montado numa BMW zerada e estacionou na frente da casa do velho pai, que lhe perguntou muito desconfiado de quem era aquele carro, e Fat responde é meu!!!, o pai não acreditou, e só passaria a acreditar quando o músico lhe mandou uma igualzinha totalmente quitada....e vida boa eu adoro essas estórias de músicos que se deram bem, ah inclusive não poderia deixar de contar que rolava uma balada de segunda-feira com só “brasileirada” e muito axé.
Entre todas as andanças sempre em busca de divertimento, uma deixaria sua marca registrada em minha vida músical, não sei se vou conseguir descrever a forma de como a minha atenção foi tomada naquele momento onde através de uma vitrine de uma boutique erótica, lindas mulheres semi-nuas se insinuavam nos convidando para entrar, era totalmente surreal, porém como magia ou encanto de sereia fomos abduzidos.
Dentro da boutique alem de todas as roupas e aparatos pertinentes ao erotismo, fomos logo conversando com a simpática gerente que nos explicava que se tratava de um coquetel de inauguração, e devido ao ambiente ser tão pequeno ela repetiria o evento no dia seguinte, para que mais pessoas pudessem tomar conhecimento.
Era nossa oportunidade nascendo de uma forma única e explosiva, Nelson Henrique foi logo falando que éramos brasileiros e que minha música poderia fazer parte da festa que iria se repetir no dia seguinte, ela achou ótima a idéia e nos confirmou com veemência que adoraria a nossa presença.
Despedimo-nos com aquela cara de que amanhã com certeza estaremos aí, e meu de verdade!!! tudo parecia uma sedução contínua, a gente nem conseguia falar direito sobre o que acabara de nos acontecer, ficamos abobados e ao mesmo tempo muito eufóricos, pois tamanha balada tinha se armado debaixo de nossos pés e de uma maneira simples sem rodeios ou invenções.
Não queríamos contar pra ninguém, era segredo o que iria rolar, convidamos apenas o Lucas um figuraça que já estava totalmente embrenhado com o cotidiano daquela cidade. Durante o dia seguinte fiquei pensando no repertorio que iria apresentar, e por ser acústico pretendia andar pela boutique encarando as pessoas com a minha músicalidade MAB - Musica Alternativa Brasileira.
Vestimos nossas roupas de heróis, empunhei meu violão, passamos no Flat do Lucas, pegamos vários docinhos e saímos na caminhada, quando avistamos a placa preta indicando em letras brancas “She Said – Erotic Boutique” juro que aquela sensação de sedução novamente me arrastava para dentro daquele ambiente pequeno de cores quentes, de lindas mulheres semi nuas com roupas de detalhes finos e transparentes, a convicção da balada perfeita nos corroia, nossos olhos se esbugalhavam na presença de fêmeas tão atraentes e ao mesmo tempo tão distintas, e gente podia tocá-las, cortejá-las, demais essa liberdade libidinosa.
Champagne em abundancia eram gentilmente servidas, os convidados circulavam entre a sala de entrada e uma pequena escada que nos levava para o sub-solo, sempre na companhia, de pirocas de borracha, vibradores, cremes para relaxar ou dar mais tesão, máscaras, infinidades de roupas e lingeries eróticas, enfim acabei comprando um lindo anel de metal em formato de flor, com uma pedra transparente central, o presente tinha endereço certo.
Em seguida foi anunciada a minha apresentação e fiz questão de demonstrar toda versatilidade do musico brasileiro, e quase um som indígena era ecoado sobre uma junção qualquer de interpretação numa linguagem de aquecimento vocal de significado vogal mais ou menos assim “PapumBrumLumbE - PapumBrumLumbE repetitivamente, soou perfeitamente, tomei de assalto aquele coquetel e a gerente logo na minha frente irradiava sua alegria de acertada decisão de me convidar para tocar.Fiquei livre e confiante, mandei mais umas músicas e encerrei minha apresentação sempre aclamado por vários aplausos, foi realmente brilhante estava totalmente envolvido e respeitado pelo meu talento, é muito valioso para o artista obter o reconhecimento no momento certo. Tiramos varias fotos, e continuamos a nos divertir, bebendo mais e mais champagne e ingerindo os docinhos para que nossa viagem fosse ao extremo.
Quando fomos nos despedir, ganhamos mais duas champagnes que foram nos dadas em forma de agradecimento explícito, e todas as modelos maravilhosas que sonhamos em comer ou foder eram levadas embora pelos seus respectivos maridos que nos deixaram de cara ao ver tamanha discrição perante a situação, haja discrição...
Novamente estávamos na nossa alucinógena caminhada em busca de mais baladas, e o pico sugerido seria uma Disco chamada Volks, um porão na orla que rolava uma tecquinera-psico-trance, a mistura de tudo e toda a minha empolgação me deixou pirado, assim que entrei na balada comecei a tirar minha roupa e a dançar freneticamente, o que chamou a atenção de todos e inclusive dos seguranças que já ficaram de campana ao meu redor sem que eu percebesse. Na primeira ida ao balcão para pedir mais birita, os caras chegaram e me colocaram pra fora, o Né até tentou evitar, mas os caras estavam determinadíssimos. Eu xinguei!!! esbravejei!!! mas não adiantou, os caras simplesmente falavam que no outro dia eu poderia voltar e entrar mais hoje impossível..
Como todas as baladas terminam exatamente as duas da manhã, fiquei esperando acabar e encontrando alguns brasileiros já conhecidos, me acalmei e nem me importei mais, alias nada poderia me deixar triste naquela noite gelada... eu estava pegando fogo, cuspindo fogos de artifícios de tanta felicidade.
Uma das minhas intenções quando parti do Brasil era explorar ao máximo minhas relações músicais, comprar CDs raros, deixar meu trabalho em alguma gravadora, e até compor uma música, e na minha idéia inicial a letra seria em Inglês.
Precisava viajar para Londres, onde o Né tinha um amigo que morava num bairro nobre afastado do centro e que poderia nos hospedar por alguns dias, para que pudéssemos visitar o Palácio de Buckingham, o Big-Bem, caminhar pelos enormes e bem cuidados parques, visitar os museus históricos milenares com suas exposições saqueadas de culturas exploradas no passado, pois os Ingleses colonizaram boa parte do mundo e ainda hoje mantém o poder em determinadas regiões, a exemplo próximo: as ilhas Malvinas território argentino, e claro fazer mais compras e cair na balada...
Tudo certo, partimos de trem, e quase na chegada, precisamente nos arredores de Londres avistamos a indústria com suas chaminés que fazem parte da capa do álbum do Pink Floyd – The Animals, visual lindo e gratificante pois sou fã dessa banda de Rock Progressivo. Desembarcamos e pegamos o metro em sentido ao centro, e lá estava eu presente, caminhando paralelamente ao Rio Tamisa que tinha um navio de guerra atracado, uma exposição de Salvador Dali ao ar livre, uma imensa roda gigante de ingresso caríssimo, o Palácio da Rainha com sua esperada troca da guarda, o parlamento onde tudo por perto é muito vigiado e lugar certeiro de muitos protestos, enfim coisas da política, e pernas para quem te queiram, andamos muito, as vezes até nos perdíamos um pouco.
Cansados de caminhar, pegamos um ônibus, com sentido às Ruas Oxford e Picadili centro de compras. Logo que procuramos nos sentar a Olga achou uma carteira e mostrou para o Né que rapidamente escondeu e continuamos a viajem, na parada seguinte um jovem aparentando uns 18 anos entrou ofegante como quem tinha corrido muito e estava a procura de algo, foi logo olhando em nossa direção e perguntando se a gente tinha visto uma carteira??, respondemos que não, tinha uma japonesa ao lado que dizia ao rapaz que tinha visto a carteira no banco, e nós nos levantamos e continuamos a dizer que não tínhamos visto nada, o rapaz desistiu meio desconfiado e desceu no próximo ponto, e em seguida descemos nós numa caminhada rápida em sentido a grande loja da Nike, um prédio de uns três andares repletos de fotos gigantes de nossos jogadores de futebol, subimos as escadas rolante, e após sentarmos bem acomodados abrimos a carteira para ver o que iríamos encontrar, e cara tinha uns 300 Pounds, cerca de 1.500 reais, dava para gastar bonito...sei lá tem hora que a gente age por instinto e não mede as conseqüências. Continuamos nossa jornada de compras, porém agora em outro bairro um lugar famoso habitado pelos Punks e que parece até cenário de filme o nome é Candem-Tow, dá vontade de comprar tudo o que se vê, pois são peças exclusivas e coisas que com certeza farão moda por todo o mundo.
Gastei demasiadamente, encontramos um outro brasileiro, fumamos vários Skanks que os africanos ficam vendendo debaixo de um ponte a uns vinte metros de uma base da policia que faz de conta que nada está acontecendo. Também nas lojas vendem baseados enrolados de fumo paia e cogumelos de todos os gêneros inclusive um renomado da Amazônia que qualquer um pode chegar e comprar.
Quando começou a dar uma larica voltamos para o centro e quando passávamos em frente a uma loja de bolos paramos para observar aquelas guloseimas, de repente me saia o coroa gaitista que vem me cumprimentando. Ficamos de cara com o encontro inusitado e inesperado, ele foi logo nos convidando para irmos em alguns Pubs de boa música e nos contando que trabalha ali perto na BBC captando imagens para documentários, em boa companhia fomos parar num bar de Blues, e já tomamos várias e num bate papo super descontraído, falamos que estávamos com muita fome, de bate e pronto o cara falou que iria nos levar em um restaurante de comida chinesa que ele conhecia a mais de quinze anos e era cliente cativo, tudo posteriormente confirmado pois nos acomodaram perto da janela para que pudéssemos olhar todo o movimento de final de ano, nossa maravilhoso!, de barriga cheia nos despedimos e deixamos tudo acertado para um breve encontro em Brighton pois o nosso amigo Inglês Stuart trabalhava na capital e morava no interior, viagem que fazia de trem todos os dias como nos contou.
Felizes e novamente na caminhada passamos por um calçadão onde um músico se apresentava de voz e violão, cantando maravilhosamente bem sucessos dos Beatles e Eagles, um cenário lindo, gente sentada no chão, casais se curtindo, ficamos alguns minutos, fomos para estação e pegamos o metro em sentido do bairro Orphintow, onde iríamos dormir, na casa do Denis, um ótimo banho, camas confortáveis e quentíssimos cobertores, coisa de boy...um lugar extremamente tranqüilo e familiar.
Na manhã seguinte acordamos radiantes de vontade de voltarmos para Candem-Tow, e se possível visitar algum museu, tomamos um café rolou um bom bate-papo, agradecemos a gentileza e partimos. Na passagem do metro pela cidade vimos um edifício que nos chamou muita atenção e também a ponte de Londres umas das mais antigas da civilização, e foi despertada a idéia de pararmos naquela estação para curtimos o visual desses pontos turísticos, na direção das edificações acendemos um Skank e fomos fumando, eu percebi quando um cara aloirado de jaqueta jeans, óculos escuros e Walkman, passou por nós, em seu retorno em nossa direção, empunhado de uma carteira de agente policial, pediu que nós parássemos imediatamente, cara congelei, eu estava com o fumo na boca, joguei no chão, ele pisou em cima e o aparelho que eu pensava que era um Walkman era um radio comunicador e rapidamente um casal de policiais vieram correndo em nossa direção, o flagrante estava só começando.
Ele começou a me perguntar se eu tinha mais, e eu falava que não, ele perguntava posso te revistar, eu respondia pode e ele o fez e não encontrou nada, enquanto isso os outros policiais iam revistando nossas mochilas, foi quando ele perguntou para o Né você tem mais, ele respondeu que não, então ele perguntou eu posso te revistar, ele respondeu pode, e aí meu irmão o bicho pegou, dentro de um dos bolsos tinha um berlô lindo do White Shark, e o policial perguntou novamente você tem mais, e o Né respondeu não, e ele perguntou posso te revistar, claro respondeu, e no bolso da jaqueta tinha uma daquelas latinhas de cigarros com mais baseados enrolados e mais skank, eu começava a suar frio e a lembrar dos conselhos do Dona Maria mãe do Nelson Henrique que dizia, olha não vão me aprontar nada por lá, vocês dois quando se juntam são fogo, e também a lembrar da carteira com a grana, nossa parecia um castigo!!! deportação, prisão, sei lá o que poderia nos acontecer.
Foi quando o policial pediu os nossos documentos, tirou um bloco de anotações e começou a preencher com os nossos dados e a descrever tudo o que tinha ocorrido, ficamos apreensivos, ficamos arrasados, a Olga não parava de chorar, também tamanha humilhação não era para menos.
Mas a grande sorte ainda estava do nosso lado, ele perguntou, no Brasil vocês podem fumar na rua?, a gente de bate pronto respondeu um baseadinho só pode, ah vocês moram em Brighton, eu também moro lá, eu peço que vocês assinem esse documento e estão liberados. Ufa!!! essa passou por pouco, tamanha tolerância, nunca imaginaria, isso é coisa de primeiro mundo, o respeito pelo cidadão de bem!!! afinal é exatamente o que somos.
Saímos apressados fomos diretamente para estação de trem e encerramos nossa passagem por Londres.
A noitinha de volta a Brighton, e como estávamos muito cansados devido as leras que haviam ocorrido, fomos dormir rapidinho, e também porque o pessoal tinha que trabalhar no dia seguinte logo pela manhã, inclusive em um hospital que se apropriava de mão de obra brasileira, pois gringo não quer saber de ficar lavando vômito e merda, e entre eles tinha um colaborador chamado Edu, um angolano que estudava engenharia de som e adorava música brasileira, e o Rochinha que dividia o Flat com a gente, tinha falado de mim para ele, em especial sobre minha músicalidade. O Edu se interessou pelo encontro e pediu para o Rocha marcar comigo. Beleza! Num belo dia a tarde o Edu passou no Flat com a sua namorada e meu levou para o seu apartamento, logo na entrada uma mesa com vários monitores e pick-ups e muito som gravado, muitas batidas e a gente foi se conhecendo numa boa pois o Edu falava português, e ele me pediu que colocasse uns solos em uma melodia que acabara de fazer e que gostava muito, o cara me colocou para ouvir a melodia varias vezes plugou meu violão, e disse manda vê....cara não saiu nada pois quem conhece a minha capacidade músical sabe que nem de longe consigo sair solando em cima de alguma melodia, eu sou mesmo um baseiro um pequeno arranjador, mas solista não deu. Logo nas primeiras tentativas o cara percebeu a minha dificuldade e pediu para parar, porem eu falei uma coisa pro cara e que até hoje eu não entendo sua reposta, - Edu eu não consegui fazer o solo que você esperava mais a sua melodia esta gravada em minha mente e eu vou fazer uma canção com ela, e o cara me respondeu eu nunca quero saber de nada e nem mesmo ouvir nada, fiquei pasmo com a resposta do cara, mas enfim ele era meio amargo devido ao seu passado e através de um longo bate papo que tivemos posteriormente, até pude compreendê-lo melhor.
Assim que cheguei de volta da sessão músical, saquei meu violão e continuei encalacrando aquela melodia na minha cabeça, uma batida meio blues com uma divisão repetitiva mais muito sonora, e fui gastando o meu tempo, viajando e imaginando como seria letra.
Assim que o meu amigo chegou do trampo, contei o que tinha rolado e da minha pretensão de fazer uma música, e fui mostrando a levada, e ele de bate pronto deu a deixa que precisávamos. Vamos contar a balada que rolou na inauguração da boutique erótica “She Said” esse seria o nome da música, traduzindo “Ela Disse” perfeito.
O brother se trancou no quarto escreveu algumas coisas e me jogou na mão, sensacional parecia um portal as poucas palavras que ele usou para descrever o coquetel estavam perfeitas, e saí dando continuidade e encaixando tudo na melodia.
Pronto, realmente estava pronta aquela que se tornaria a mais pirante e impactante música que havia composto, e segue a letra:
Vitrines vivas nos convidam para o que parecia uma festa
Cabelos, olhos, sorrisos, seios, tatuagens e pernas
Transitam por aquele ambiente pequeno
Corpos desnudos em pequenas peças íntimas
Em cores quentes e detalhes transparentes
Música, fotos e champagne
Música, fotos e champagne
Regavam aquela festa genial
Pensamentos alucinados libido
Tudo nos fazia acreditar no que poderia nos acontecer
Nos acontecer....
She Said....She Said.....
A minha busca estava completa, me sentia o criador, o link que rolou entre as pessoas envolvidas nessa composição me deixou extasiado de felicidade e cheio de pretensão com a música, devo ter tocado repetitivamente uma cem vezes, a galera até começou a reclamar comigo, ô meu você não cansa, ô meu toca outro som , mas não dava, estava entregue a mercê do amor que a gente sente quando gosta de uma música, a freqüência te possui, te domina te coloca em outra dimensão, é isso mesmo, essa é a minha maneira de sentir uma canção...obrigado Deus...obrigado Deus!!!
Posso continuar a história????
São 02:0O horas da madruga e acabei de chegar de uma apresentação na Central da UNE através do Projeto “ Enquanto Isso” quebrei o maior som música própria na veia “Eu sou cover de mim mesmo” e estou excitado para continuar a lera.... a escrever esse conto... acredite quem quiser!!!
Vamos lá
O gringo Stuart o brother gaitista, tinha planejado um tour pelos Pubs da cidade, principalmente os que tivessem música ao vivo, e ele tinha a maior moral nas paradas, sempre dava um jeito pra eu fazer um som e gravava tudo no seu mini-dv, o cara bebia muito, eram copos grandalhões Half-Pipe, de Stellas, Budweiser e o que viesse pela frente, porém exatamente às 02:00 horas da manhã horário inglês!!! o sino toca, sinal que estava categoricamente encerrada a venda de bebidas alcoólicas, quando o gringo se ligava que estava perto de tocar o sino, ele já fazia logo um pedido grande dobrava tudo e tome goró, e muita conversa.
Estava chegando o Natal e lembrei-me da família, começava a me bater uma saudade!!!, a galera do Brasil preparou um jantar no Flat do Né, a comida estava deliciosa em pleno dia 24 de Dezembro, uma ceia diferente apenas com os amigos, fato raro na minha vida,um bom bate papo, uma sonzera , muita bebida..estado feliz de Feliz Natal.
Na noite seguinte o Stuart novamente nos dando arrastões, dessa vez depois de nos apresentar a um velho amigo chamado Tim e fecharmos mais um Pub, ele nos levou até sua casa, sentamos todos na sala e imediatamente ele colocou o CD da Irmandade pra rolar e nos chamava a atenção tentando mostrar o quanto estava apaixonado pela sonoridade, pelo suingue, a gente tentava desconversar e ele insistia, olha isso, escuta isso, depois de muitos elogios, nós pedimos para colocar um documentário que ele tivesse ajudado a produzir, o cara mandou um sobre a vida do Chuck Berry, sensacional!, e ficamos ali bebendo vinho e contemplando a arte até o dia amanhecer. Curtimos muito, o cara era muita informação.
A semana foi rolando entre Pubs e apresentações e chegava a passagem de ano, a tal citação Happy New Year faria parte do meu vocabulário a noite inteira, estávamos muito felizes e esperançosos com ano que acabara de começar, planos, muitos planos concretos, e convictos dos atos a serem tomados para realizá-los.
Mais saudades do Brasil, os últimos três dias que fiquei na cidade foram intermináveis não aguentava mais dormir até as 14:00 horas, fazer compras, precisava voltar, eu queria voltar, eu tinha que voltar!!! queria rever as pessoas e as coisas que deixei, poder contar tudo, partilhar minha experiência que tinha vivido nesse um mês em que me ausentei...do meu trabalho, da minha banda, de tudo que amava.
A despedida!!! na minha última noite em Brighton, nos reunimos na casa de um francês muito amigo do Né e que amava de paixão a música brasileira, e até arriscava a tocar alguns dos inúmeros instrumentos de percussão que ele tinha, éramos Né , Olga, Stuart , Tim, Carlos Zoffo e Vincent... muito vinho, skanks, um bom bate papo, todos cantavam, batucavam, sensacional poder sentir o carinho das pessoas.
Pela manhã seguinte eu, minha viola, e as malas abarrotadas de compras, partimos para a ultima caminhada pela aquela inesquecível cidade, o meu amigo estava muito triste com a minha partida, chegou até chorar na nossa despedida, e eu não tenho como agradecê-lo na integra, tudo o que o seu apoio me proporcionou...só o tempo poderá dizer o tamanho da minha gratidão....
Procurei ir gravando todo o visual daquela estrada que me levaria ao aeroporto, o céu cinzento, grandes campos com casas lindas e bem cuidadas, vários carros de modelos diferentes, modernos, a cara das pessoas que estavam no ônibus, a língua que se ouvia baixinho em cada conversa alheia, estava me retirando, desgrudando, cortando o cordão umbilical que conectei para sugar tudo e todas as modalidades de informações e acontecimentos que passaram no meu raio de ação.
Deu tudo certo, dever cumprido, isso é ótimo, e entre todas as coisas que levava comigo a que mais me deixava orgulhoso e feliz inevitavelmente seria “She Said”. Mais 12 horas de vôo e estava na minha terra querida, no meu país de sol brilhante, de pessoas extremamente simpáticas e alegres, de boa música!!! de gente festiva, e perto da minha família.
Minha mãezinha e minha irmã querida foram me buscar em Guarulhos no aeroporto de Cumbica, e imediatamente pedi para que ela me levasse diretamente para Loja, queria ter contato com os papéis, com os recados dos meus clientes, enfim com o meu cotidiano de administrador e vendedor que adoro.
A reunião com a banda ficou para o dia seguinte, alguns telefonemas foram rolando durante o dia, e pelo modo como os meus parceiros conversavam, eu já notei que algo de ruim tinha acontecido, não deu outra, a noite quando nos reunimos veio a tona a deixa, que alguém tinha pedido a cabeça da Cris “Boca de Morango” queriam que ela saísse da banda ou caso contrário perderíamos um contrato de shows que tínhamos fechado por um bom cachê. Imediatamente afirmei... impossível, ninguém vai determinar quem entra ou quem sai da banda, ninguém vai nos separar nós somos a Irmandade do Som.
Espantei a nuvem preta que pairava sobre as nossas cabeças, relaxamos, e comecei a contar as novidades e distribuir os presentes que trouxe para cada um deles, tudo numa boa, nessa época ainda tínhamos um bom relacionamento e muitas pretensões, isso tudo aconteceu numa quinta-feira, na sexta iríamos tocar no Biblioteca, bar do nosso amigo Homero, que já estávamos por lá a quase dois anos, números muito bons para uma banda de repertório de música própria.
Nesse show toquei pela primeira a vez em terra Brasilis a música que compus, a tal She Said, ninguém entendeu nada, acharam a música estranha, ninguém deu um voto se quer de confiança, todos ignoraram minha composição, fiquei na minha, e convicto que aquela estranheza era momentânea.
Já no sábado, o nosso show seria na Bendito Calixto, o antro da liberdade de expressão o pico mais alucinado que curti em toda a minha vida e tudo o que fomentava naquele lugar era induzido por nós, criamos um formato único de apresentação, misturando ao nosso som, interpretações de dança e teatro, interagindo ao máximo com o público presente, era uma odisséia, uma orgia, uma troca de energia em potencial.
Depois de cantar os nossos grandes hits, entre eles Mande Seco, Viva Bob Marley, Íris de um Lobo, comecei a tocar She Said!!! e nem a banda e nem ninguém ligava para a música, eu insistia somente nas palavras: música, fotos e champagne, música, fotos e champagne, repetitivamente pra ver se impregnava, e nada e nada, ninguém prestava a atenção, aquela situação foi me irritando me deixando sem jeito, me sentia ignorado, a fúria foi tomando conta do meu ser e de todo o meu raciocínio, uma tempestade de idéias começaram a rolar na minha mente, parecia um liquidificador batendo uma vitamina de letras, eu olhava para cara das pessoas mas precisamente em seus olhos e ninguém me correspondia, mas eu insistia, música, fotos e champagne, música, fotos e champagne.
E o urro, o grito da liberdade de expressão ia sair pra mudar todo o marasmo existente, iria criar um referencial para o nosso som e tomar de assalto toda a atenção necessária que minha música precisava, e a frase que acabava de chegar na minha boca seria, FUMO, COCAINA E CHAMPAGNE, ....fumo, cocaína e champagne regavam aquela festa genial, pensamentos alucinados, libido, tudo nos fazia acreditar no que poderia nos acontecer, e aconteceu , eu nunca vou esquecer o semblante desfigurado das pessoas que presenciaram esse feito, a banda se ligou, o publico se encantou com a minha coragem, com a minha determinação, estava nascendo uma nova era no Bendito Grill.
Convicto da realidade do que causaria essas três palavras, e já tendo o apoio da galera, começamos a melhorar a levada do som, incrivelmente a bateria, a gaita e a viola de 12 cordas estavam perfeitas, um mix de Blues e Rock Roll uma pegada forte com letra picante, insinuante, a Liberdade de Expressão estava no ar, para quem quisesse ouvir em bom tom de voz e bom português o que significa MAB.
Faltava um componente para formamos o time que gravaria o som, queríamos entrar pro estúdio, estávamos ansiosos para ver o resultado e apostando totalmente em um único single, tudo teria que bater muito bem. Já tínhamos alguém em mente, um São Caetanense da gema, uma figura exótica, da madrugada, dotada de uma psique músical muito parecida com a nossa, e profundo conhecedor do seu instrumento de quarto grossas cordas, o tal baixo, o tal do Rogério Duo, Duo simplesmente!!! um mago do Baixo....
Num estúdio bem simples no Ipiranga, logo no primeiro e único ensaio antes de irmos gravar, a música já mostrava a sua cara e a sua força. Saímos bastante empolgados com a cópia do som que fomos ouvindo até o bar do Marcão (Garage Bar).
Marquei a data no Sun-Trip, estúdio que anteriormente tínhamos maxterizado o nosso cd “Irmandade” e ficamos com muita vontade de fazer o nosso próximo trabalho com os caras. Era chegada a hora, caprichamos na produção, fechamos vinte horas para uma única música, alugamos uma batera, preparamos os aperitivos!!! e numa manhã qualquer, fomos apresentados ao técnico que iria cuidar da nossa gravação, um japoneisão magrelo e muito fumante, chamado ARÚ, mas que sacava muito, mas muito mesmo de som, ele foi com certeza absoluta quem produziu e conduziu toda as sessões para cada instrumento, desde a montagem da batera, capitação dos microfones, timbres de cada pele, até a levada, divisão, quando deveria atacar os pratos, a abertura meio Led Zeppelin meio John Bohan... Imaginem como eu estava adorando ter na equipe alguém tão capaz e seguro de si, conhecedor da sua profissão.
No final da gravação queríamos dar um ar de final de festa, gente sorrindo, gritando, taças brindando, e fomos todos para sala de gravação e começamos a fazer a maior bagunça uma puta barulheira, a felicidade pairava sobre nós, uma forte sensação de realização de destino certo. Fomos almoçar, relaxamos um pouco, e quando voltamos, o japa chegou pra nós e disse: - Vou começar a mixar e não quero ninguém por perto, preciso de concentração e muito silêncio, fiquem na sala de descanso, daqui a pouco chamo vocês, acatamos o pedido, mas ficamos por perto, foi impressionante ouvir as transformações que o cara foi fazendo com as pistas, principalmente com as vozes, os efeitos que foram surgindo, ele nos deu a maior sorte para finalizarmos o nosso projeto músical.
Felizes com a bolacha na mão, distribuímos as cópias entre a banda, e lógico todos ouvindo inúmeras vezes, e a cada audição percebendo o quanto os nosso esforços foram justificados por aquela sonoridade marcante e harmoniosa, atingir esse grau músical não é tarefa fácil pra ninguém, tem que rolar uma sinergia entra os envolvidos e muita determinação, obrigado mais uma vez Deus...
Música gravada, e um passo sempre vem atrás do outro, precisávamos divulgar a música, divulgar She-Said, o nosso lema era “Pecar por Excesso” e fomos diretamente na MTV, com a nossa pasta de recortes de jornais e revistas que vinculavam o nosso trabalho, e os também CDs já gravados.
Tínhamos hora marcada com um tal de Pablo, através de um e-mail que nos foi enviado por engano pela Ana Butler diretora artística da casa , e partimos para a reunião. Adoramos pegar os crachás e adentrarmos pela tão sonhada emissora, quando o cara nos recepcionou fomos logo mostrando as paradas, e falando mais que a boca, como sempre!!!, e de repente fomos interrompidos, com o seguinte questionamento: Cadê o vídeo clip?? nós falamos vídeo clip??, é meus amigos, aqui é um canal de televisão, achei até legal o material de vocês, mas se quiserem ter uma chance, vocês têm que ter um vídeo clip...olhamos um pra cara do outro e numa convicção avassaladora, falamos pode nos aguardar que em breve voltaremos...muito obrigado pela atenção... logo faremos contato.
Não quisemos nem pegar o elevador, descemos pelas escadas e já fomos imaginando, calculando quanto custaria, como conseguiríamos executar tamanha objetividade.
Nos reunimos em uma segunda-feira qualquer e começamos a dar nome aos bois, She Said o clip, roteiro, aluguel de limusine, motos, roupas, Sex-Shop, muita champagne, lindas mulheres, local de filmagem, os patrocinadores... uma festa estava pra acontecer.
Com a ajuda dos donos dos bares onde tocávamos, com contribuições de gente amiga que gostavam da banda, o patrocínio foi chegando e o circo começando a se armar. Fizemos algumas cotações para contratarmos quem iria filmar e dirigir toda aquela quase piração, e novamente a sorte da opção certa nos presenteou com grandes profissionais envolvidos com a área, e que tinham o segundo melhor preço.
E começaram as reuniões para passarmos a nossa intenção e também para que eles tomassem conhecimento do que a música She Said representaria e o queríamos alcançar, a tão sonhada exibição na MTV, quando ouviram as três palavrinhas, Fumo, Cocaína e Champagne, foram logo nos avisando que seria difícil a execução tamanha era a sensação de indignação que o som causava. Eles nos perguntavam se o cara da MTV sabia que o clip ia ter essa conotação de apologia. A gente falava que o cara sabia, mas era mentira, nós não podíamos desencorajá-los naquele momento.
Falamos do roteiro, e ficou fácil o entendimento, pois assim como falava a letra da música, tudo era baseado em fatos reais do que havia vivido em Brighton, o pessoal começou a se interessar e fizemos as primeiras gravações para o Manking-Off, e eles nos prometeram que em breve nos mostrariam um Story-Board de toda filmagem.
Voltamos a nos reunir, e aí ficamos de cara, eles nos trouxeram a realidade do projeto, eles pensaram em tudo, souberam transpor o realismo necessário para contar aquela balada nervosa, cheia de sedução...
A chamada sorte, o momento certo, todas as decisões a seguir foram se transformando aos poucos no cenário glamoroso do clip, quanto aos convidados, houve uma pré-seleção e nós da banda indicamos algumas pessoas, gente da própria Calixto, e a partir das 08:00 horas da manhã de um domingo qualquer, dentro do próprio Bendito Grill dominado pela produção da MAB, um numero de pessoas começavam a se agrupar para ocuparem seus postos... seus lugares , gente se maquiando, se vestindo, provando os figurinos sensuais das roupas criadas pela nossa amiga Lili Angélica, toda uma articulação envolvida com a transformação do ambiente, uma sessão de fotos pirantes conduzidas pelo incansável Paulo Andrade.
E ao meio dia rolou um almoço bem relax, inclusive contando com a presença dos patrocinadores que ficaram de cara com tamanha ousadia da produção. Na sequência fomos todos avisados que as gravações iriam começar, e no primeiro andar de piso enxadreizado, a balada tava armada!!! As filmagens comandadas por um diretor, com seu mini monitor de mão e um microfone, tendo em sua equipe um rebatedor de luz canadense chamado Bruce, uma única câmera captando as imagens e se utilizando da técnica standing-cam que é mais ou menos assim: um braço articulável com a câmera na ponta, preso ao corpo e que proporciona vários movimentos, de vários ângulos e muito bem equilibrados, eu nunca tinha visto essa lera..., essa estrutura toda dava um sensação muito poderosa.
Para aquecer a galera e a pedido do Diretor!!! Tocamos a música ao vivo, o lugar parecia que ia explodir!!! tamanha a vibração emplacada, todos cantando e dançando, estávamos brilhantes, empolgadíssimos, embalados por aquela sonoridade, pelos nossos dionísios, tenho certeza que o Jim gostaria muito de ter estado lá com a gente. A festa de encenação acontecia regada a muita Chamdon, e o Diretor pasmo ao ver e sentir tanta veracidade estampada na cara das pessoas. Era o nosso público, nossos fãs que estavam ali, somente duas modelos foram contratadas para contracenar com a banda, e mesmo assim foram surpreendidas por uma tal Carol!!! uma genuína figurante com cara de protagonista, que roubava a cena tamanha sensualidade, beleza, loucura e aceitação do papel em que se colocava.
Éramos filmados repetitivamente cantando com play-back em alta rotação e também em baixa rotação tipo slow-motion, essas imagens depois cincadas na edição ficaram chocantes, e tome mais filmagens e tome mais champagne, e tome mais de tudo, gente se beijando, caras e bocas se insinuando, estávamos todos a mercê dos acontecimentos, e rolou até um pequeno stress com a direção das filmagens!!! queriam nos controlar!!! e eles estavam certos, alguém tinha que conter a nossa libertinagem...
Tudo sob controle!!! E as surpresas foram acontecendo, na filmagem da motocicleta na abertura do clip, do também patrocinador Arnold proprietário da loja Hot-V2 marca reconhecida no meio das duas rodas, com uma máscara de caveira prateada, e montado em sua Harley Davidson alaranjada de 1500cc ano 76, surpreendia a todos inclusive ao pessoal das imagens que não imaginavam tamanha audácia do cara em roncar e acelerar a sua máquina fritando os pneus causando o maior fumacê, uma nuvem de fumaça sensacional. Todo mundo aplaudiu a cena, as pessoas se perguntavam: "E ai meu, gravarão isso???" E a resposta perfeita foi: "Claro... Claro... Claro..."
Em algumas cenas da limusine pela cidade nós nem estávamos dentro ou algumas vezes estávamos estacionados para filmagens internas. A banda acompanhou as filmagens da cena da vitrine num Sex-Shop numa travessa da Av. Rebouças, e começava a garoar um pouco, mas nada que pudesse nos atrapalhar. A data estava reservada para as nossas vidas.
Agradecemos nos despedindo de toda equipe, e fomos brincar de brasa, cada um pra sua casa, o destino já estava preparado, já estava feita a arte!
Nos dias em que seguiram a edição, ficamos muito ansiosos, tínhamos marcado compromissos, tínhamos data para entregar o material, também algumas pessoas reclamaram muito de não terem participado das gravações.
Enfim, nada melhor do que um dia atrás do outro, chegou a hora, marcamos a reunião para a exibição do clip, fomos para casa do Diretor, expectativas a mil...nos acomodamos e finalmente pudemos ouvir e assistir o nosso primeiro video-clip intitulado She-Said.
Na primeira passagem ficamos meio sem saber, na forma como foi editado uma seqüência avassaladora de imagens um corte atrás do outro, muita informação, olhávamos um pra cara do outro e continuávamos sem saber, queríamos achar talvez um defeito e não conseguíamos, chegamos a um acordo que precisávamos assistir mais vezes e com mais calma, e assistindo repetitivamente nesse formato, fomos nos entregando ao projeto que tínhamos realizado e que dava uma altivez para nossa música e nossa banda! Cara, ficou do caralho!
Precisávamos voltar para a MTV procurar o Pablo e intimar o cara, ai meu brother o clip tá pronto!!! dá uma olhada e depois diz pra gente se vai dar pra rolar na programação.
Novamente voltamos a ficar apreensivos, tínhamos consciência que talvez por causa das três palavrinhas, poderíamos ter uma resposta negativa quanto a exibição do clip na grade da tão sonhada emissora.
Mais uns dias se passaram ficávamos ligando e o cara nada de falar com a gente, quando nos atendeu, ele foi logo falando que por ele tudo bem, mas devido a apologia que rolava no clip teria que pedir permissão ao seu superior.
Mais uns dias se passaram, mais agonia, mais ansiedade, mais preocupação, medo de ouvir um NÃO!
Eu sabia que se caso isso viesse a acontecer, minha pessoa seria o alvo de todas as detonações possíveis, de teimosia, a imparcialidade, frases tipo: "Eu te avisei que isso não daria certo...". Mas, enfim, eu sou um pouco de tudo isso e arrisquei mesmo, todas as minhas fichas estavam na mesa, e eu ganhei.
O Pablo falou que estava tudo certo e aprovado, que em breve nos avisaria do horário e data exata da exibição.
Foi como passar no vestibular, no vestibular da música, no vestibular dos clips, no vestibular da vida, no vestibular da perseverança, agradeço a todos por essa conquista.
Avisados da data fechamos uma quinta-feira no Biblioteca Bar para tocarmos e assistirmos nossa entrada no ar, e compartilharmos toda a nossa emoção com o nosso público, amigos e colaboradores.
O programa que estava vinculando nossa exibição era o MTV-LAB, que tinha tudo a ver com o nosso som, muita música alternativa, e na seqüência do clip da Ivete Sangalo, entrou aquele ronco estrondoso seguido por uma gaita blusera, os caracteres indicando o nome da banda e nome do clip, a gente tocando junto com a exibição do clip, foi uma loucura instantânea e tudo passou muito rápido, pessoas gritando, chorando de alegria, nos falando um monte de coisas, muita gente ligando para falar que tinham assistido, ou que tinham visto só um pedacinho, eu me sentia um Rei, um Rei da música própria, da liberdade de expressão.
No dia seguinte rolou mais uma exibição e nos foi falado que se várias pessoas ligassem pedindo o clip ele seria exibido mais vezes, e começamos outra batalha ligando e pedindo para que mais pessoas fizessem o mesmo..tudo não passou de expectativas frustradas, logo nem as secretarias eletrônicas queriam aceitar nossos pedidos, tentamos saber do tal jabá, sei lá!! no meio falam tanto de disso, mas ninguém te abre o jogo, ninguém te dá uma dica, é um mercado muito fechado.
Encaminhamos copias do clip para outras emissoras, e ficamos esperando o resultado, sabíamos da condição que a arte nos impõe para que possamos nos manter em pé, muita dedicação, muita humildade, receber mil NÃOs para receber um SIM.
Uma emissora bem menor em popularidade se interessou pelo nosso trabalho, e começou a exibir nosso clip, estavam renovadas nossas esperanças, e novamente mais um dos nossos lemas vieram a tona “ Me faça um risco que eu escrevo Francisco”.
Logo procuramos saber quem havia nos dado essa oportunidade e que mais poderíamos fazer para aumentar nossa divulgação.
Fomos conhecer as instalações da Rede NGT, uma emissora com uma estrutura digna das grandes, um amplo estacionamento subterrâneo, salas administrativas e espaços muito bem decorados, ótimos estúdios, vários camarins, preparada para a evolução tecnológica, preparada para era digital (HDTV), estávamos vislumbrados com a apresentação que nos fazia a pessoa que nos recebeu, um cara muito educado e comedido, mais tarde saberíamos a grandeza de sua pessoa.
NGT Independente chamava o programa músical que tinha como principio ajudar as bandas de produção independentes a verem seus trabalhos divulgados pelo Brasil a fora, sem que tivessem de pagar por isso, adoramos a idéia, tinha tudo a ver conosco.
Começamos a assistir assiduamente a programação daquela nova emissora, que de quebra nos dava uma força exibindo o nosso clip. Algumas pessoas, principalmente da periferia, vinham nos contar que tinham nos visto, que assistiram nosso clip.
Nas repetitivas vezes que assistimos o programa, lógico, e principalmente para ver nosso clip, notamos que não tinha apresentadores no programa, que ele simplesmente começava com a vinheta de abertura e rolavam os clips na seqüência, ficava faltando alguma coisa, ficava um vazio enorme de informações sobre as bandas, tipo: origem, nome dos integrantes, shows, contatos, e cara, os clips eram demais, logo ficamos fãs de várias bandas, para citar alguns nomes, adoro as bandas: Pedra, Homem do Brasil, The Jennifers, Pedra Branca, Nave, Taska, Fuga, Nacacunda, entre outras.
A proposta já estava pronta em nossas cabeças, entraríamos em contato para marcar uma próxima reunião, e mostraríamos um pouco mais de nós, nossa trajetória, nossas conquistas, e também para falarmos de nossas atuais intenções!!! nos tornarmos apresentadores de televisão, mais precisamente do Programa NGT Independente, queríamos levantar aquela bandeira, queríamos também poder ajudar todo um cenário pulsante que estava em total ebulição, dava para sentir através dos clips a qualidade que essas bandas estavam alcançando com seus trabalhos, era notório, não dava para passar desapercebido...
Chegamos tão pactuantes e convictos para a tal reunião, que em poucas palavras já havíamos convencido que se fazia necessário nossa inserção, ficou pendente somente a parte comercial.
Com toda produção do programa em nossas mãos, contando com a sorte do principiante e com a ajuda de dois irmãos músicos e muito amigos da banda que cuidaram com muito carinho do áudio, concluímos a gravação do primeiro programa, e já começamos a traçar as diretrizes, o rumo que tomaria os próximos, coisas como trazer as bandas para tocar ao vivo, entrevistas, criar o espaço literário vinculando somente livros co-relatos a música, e claro, garantindo a exibição da nossa jóia rara o nosso melhor produto, tudo aquilo que mais próximo chegou da perfeição o nosso Clip She-Said, agora apresentado por nós mesmos, eu sempre senti a força dessa canção...
Obrigado a Deus e a todos, assim se segue...
Essa é a história...
FIM...